Archive for the 'trash' Category

fuifugirtevi.

fui fugir de mim, te encontrei
foi eu te encontrar que me achei
foi eu me achar, percebi
que valeu a pena fugir
e depois
fui te encontrar e fugir
pra qualquer lugar, mesmo aqui
só fugir pra dentro de nós
e a sós atar bem cegos nós
pra fugirmos pela janela
pro mundo que ela revela
ou será um espelho, a janela,
a te refletir, [...]

poesia?

incomunicável
minha mente ainda te toca
meu peito ainda te afaga
minha mente ainda me mata
meu peito ainda me esmaga
incomunicável
pensamento te persegue
que lugar agora habitas?
por que rua agora escapas,
a buscar quem te carregue?
incomunicável
a fugir sem ser achada
inalcansável
que me chama e te afastas
imperdoável
consciência que se arrasta
onde estará a poesia?

Y (encruzilhada)

Um poeta pós-adolescente
É melhor que um adulto descrente
Um olha pra trás
O outro, pra frente

 
o peso do talento
é um peso lento
e de todo acalento 
surte pouco alento
posto que o talento
é um esmagamento
o talento é um peso que persiste
sobre a cabeça daquele que resiste
o talento não salva o bastante
para salvar-nos dele próprio
que dádiva mais sem simetria
e cheia de reticências
se esgota na agonia
declarada de sua existência
(e se meu dúbio talento deságua
em tão [...]

destino da poesia.

toda alma
vira lama
toda calma
vira coma
toda chaga
vira página
toda mágoa
vira água

haikaído

a lua seduz
à noite, brilha
e apaga a luz

certezas.

o fim de tudo é a morte
mas vive-se tão incerto
que até para morrer
é preciso ter sorte

louça quebrada.

prateleira:
parte prate,
parte leira.

um quarto de vida.

o quarto anda meio sem vida
o violão já não soa,
a janela não ringe,
o pensamento ecoa
oco,
o pulmão suspira
pouco,
e a gente finge.
vão-se
os carrinhos
de brinquedo,
os bonecos
(e os medos?)
que se vão!
cabe mais
no vão que deixam
que na lacuna
que preenchem

tardio.

o cheiro familiar
de caminhar nostálgicas calçadas
ao sol
era lixo
e quem dormia deitado,
mãos ao saco,
revirante revirado
exposto
não era bixo
vi que meus ossos
não têm lembrança
e que a mente
não alcança
as memórias que menti
dos caminhos que perdi
e, assim, quando me perguntaste que motivos eu tinha pra ficar triste, não lembrei do lixo, não lembrei do bicho, esqueci do exposto.
me doeram os [...]




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