Archive for the 'probérbios' Category
Um poeta pós-adolescente
É melhor que um adulto descrente
Um olha pra trás
O outro, pra frente
a exatidão
tem uma chance parca
e exata
de estar certa
quase nada
é mais exato
que uma bala perdida
e há os que lhe fujam
inexatos
por toda uma vida !
neste sentido, a exatidão
é – qual o escuro -
inexata
no outro,
a inexatidão
é que nos mata
o peso do talento
é um peso lento
e de todo acalento
surte pouco alento
posto que o talento
é um esmagamento
o talento é um peso que persiste
sobre a cabeça daquele que resiste
o talento não salva o bastante
para salvar-nos dele próprio
que dádiva mais sem simetria
e cheia de reticências
se esgota na agonia
declarada de sua existência
(e se meu dúbio talento deságua
em tão [...]
o fim de tudo é a morte
mas vive-se tão incerto
que até para morrer
é preciso ter sorte
o quarto anda meio sem vida
o violão já não soa,
a janela não ringe,
o pensamento ecoa
oco,
o pulmão suspira
pouco,
e a gente finge.
vão-se
os carrinhos
de brinquedo,
os bonecos
(e os medos?)
que se vão!
cabe mais
no vão que deixam
que na lacuna
que preenchem
a espera cultiva
ervas daninhas no sonho
a espera inunda
e me afoga no sono
a espera,
mesmo que breve,
corrói a corda do tempo
que ironia:
a espera
enobrece
a angústia
domingo
fantasmas em visitas
margaridas florescem
velhos amores eternizam-se
num domingo sem fim
O velhinho não tem pressa. A batida do relógio é sempre a mesma, e assim ele espera que se mantenha a do próprio coração por mais alguns anos. Por isso o carro dele desliza enquanto os outros “avalancham” pela Terceira Perimetral. O velinho sabe de toda a conspiração que fez que o mundo conspirasse para [...]
abriu a caixa. o que esperar? sob uma tampa fechada há tanto mais do que em uma caixa aberta.
escreveu as últimas palavras no caderno: coisas a esquecer.


