Archive for the 'jornalismo' Category

O povo na Argentina ainda se indigna
com a falta do olhar pelos homens do campo
de pijama rosa, com o pai, duas meninas
batem panela juntos com a multidão
que tomou a esquina callao y santa fé
duas horas de caçarolaço intenso
o sr., assobiando, também bate
“Buenos Aires Apoya al Campo”
Mas o homem do táxi discorda
acha que é coisa de [...]

A aeromoça que checa se os passageiros estão de cinto, olhando para suas regiões pélvicas como quem queima na xeca. O táxi que corre no Brasil corre muito mais risco do que o que corre muito mais em Buenos Aires.
Buenos Aires das meninas que nem são tão belas como se pensa. Das livrarias mil e [...]

desperto não tem nada

a rádio gaúcha na madrugada traz a informação que gera o questionamento. a cpi do detran. os tubarões vindo à superficie, e a força. um deputado faz questão de levar tudo pra politicagem ou pro futebol. tudo bem, ele é bem desse meinho de classe, né, cassi? ah, mas no resto, declarações coesas e coerentes [...]

o lugar onde a gente mora é a gente que faz
disse a mulher
dos punhos finos
e firmes
que a ponte habitava
e fiz-me mudo
e o mundo
imundo
me deu ânsia
de não ser parte
e não fazer parte
só arte
ânsia de não fazer parte?
perguntou a mulher
dos pulsos
que lhe mantinham de pé
mas você é o todo
e eu sou o todo

acho que todo bom poeta é um bêbado.
me falta trago, me sobram dedos
que me apontam, me contam o que sei
que nada sei (e que um bêbado sabe mais)
que esse andar por entre linhas, etéreo
não me habita – só um recalque que palpita
e se não há poesia em mim, fico triste,
será meu ego mais feliz no [...]

Famílias terrivelmente felizes [...] Marçal Aquino
 
Marçal Aquino é para alguns o grande escritor brasileiro da última geração. Para mim, apresentou um dos melhores títulos que um livro já recebeu: “Eu ouviria as piores notícias de seus lindos lábios”, um romance curtinho e incendiário, um Rubem Fonseca relaxado por um cigarro de maconha, um corte na [...]

Alfredão ficou algum tempo sentado no quarto, vendo o corpo do parceiro curvado para fora da cama. Quando desceu as escadas do Blue Star, percebeu que estava chorando. E lembrou que precisara atirar três vezes até cessarem os movimentos de Múcio. Daquela distância, em outros tempos, nunca gastaria mais do que uma bala para matar [...]

Eu caminhava contra o vento pela Fernandes Vieira, entre a Independência e a Oswaldo, presente e passado da boemia provinciana. E escutava no meu iPobre e cantava alto uma música do Caetano de 1971 – Maria Bethânia – gravada nos tempos de exílio. Uou, eu me senti um cara legal, ouvindo um Caetano bem mais [...]

Rosas

Os tempos certamente não eram dos melhores, mas havia compositores na música brasileira dos anos 60 que queriam pintar tudo de Rosa. Era Rosa pra cá, Rosa pra lá, lá e lá. O Caetano em “Domingo”, o Jorge Ben em “Samba Esquema Novo” e o João Gilberto em “Chega de Saudade”, todos cantam alguma [...]

Li e venho lendo dois livros cujos títulos – por opção dos autores, talvez – iniciam com minúsculas. Escreví abaixo minhas associações e assobios:
madcap, Tim Willis

Desconstrói o mito e constrói o ser humano. Conhecer Syd Barrett só foi possível num curto período de mais ou menos dez anos. Do início dos 60, até o mesmo [...]




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