deixas o legado
e levas todo o leve
eu vivo mais pesado
que meu existir te deve
se tu existisses breve 
quem me dera, quem me dera
que ainda existisses linda
quase um sonho um tu-ainda
mas se só existes sonho
já não durmo, já não duro
que alguém também me leve
assim coberto de furos
cada um é falta tua
em que minha alma escorre nua
eu repleto de vazio
me completo com tristeza
e se tu voltasses riso
e risses servindo a mesa
aí eu crescia o ciso
e jamais seria frio
vivia sem mais represa
das lágrimas de que preciso
pra aguar o meu peito seco
só a saudade é de verdade
se tu existisses livre
aí eu também me livro
e cada furo meu fosse asa
que nos voasse pra casa
queria sentir criança
queria roubar-te o sono
queria invadir-me o sonho
a verdade da tua lembrança

deixas o legado
e levas todo o leve
eu vivo mais pesado
que meu existir te deve

se tu existisses breve 
quem me dera, quem me dera
que ainda existisses linda
quase um sonho um tu-ainda

mas se só existes sonho
já não durmo, já não duro
que alguém também me leve
estou coberto de furos

cada um é falta tua
em que minha alma escorre nua
eu repleto de vazio
me completo com tristeza

e se tu voltasses riso
sorrisses servindo a mesa
aí eu crescia o ciso
e jamais seria frio

vivia sem mais represa
das lágrimas de que preciso
pra aguar meu peito seco
- só a saudade é de verdade

se tu existisses livre
aí eu também me livro
e cada furo meu fosse asa
que nos voasse pra casa

queria sentir criança
queria roubar-te o sono
pudesse invadir-me o sonho
a verdade da tua lembrança


  1. como diz (?) nosso amigo Necchi
    ‘clap, clap, clap’

    em especial aos três últimos versos




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